Independente da região onde acontece, a violência armada é um problema que se tornou parte do dia a dia dos soteropolitanos. Seja nas regiões centrais, nobres ou mais periféricas, essa é uma questão que afeta todos que circulam pela capital baiana. De acordo com o Instituto Fogo Cruzado, 146 bairros registraram trocas de tiro entre os meses de janeiro e agosto de 2025, representando 85,38% do total de logradouros da cidade.
Os bairros Tancredo Neves, Lobato e Mussurunga registraram em média, cada, mais de 25 confrontos de janeiro até a última quarta (17), ocupando o pódio dos três mais violentos. Tancredo Neves é o líder nesse quesito em Salvador, com cerca de 29 tiroteios registrados até esse período do ano. Federação e Fazenda Coutos completam o top 5. Ao todo, a capital registrou 856 tiroteios até o momento, o que resultou em 647 mortes e 188 pessoas feridas.
Na contramão, 25 bairros não registraram confrontos nesse ano, sendo que alguns deles estiveram entre os que mais registros com armas. São eles: Alto das Pombas, Amaralina, Boa Viagem, Boa Vista de São Caetano, Cabula VI, Cajazeiras II, Cajazeiras VII, Calabar, Chame-Chame, Colinas de Periperi, Dois de Julho, Doron, Granjas Rurais Presidente Vargas, Ilha de Bom Jesus dos Passos, Ilha de Maré, Ilha dos Frades/Ilha de Santo Antônio, Lapinha, Nova Esperança, Pituaçu, Roma, Santo Agostinho, Saramandaia, Saúde, Stiep e Vitória.
Integrante da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, Dudu Ribeiro expressa preocupação com os números apresentados pelo Instituto Fogo Cruzado. Ele aponta as disputas em relação ao mercado de drogas e armas, a presença ostensiva da polícia nas comunidades e as tomadas de decisão dos gestores quanto ao investimento para esses locais como principais fatores para o incremento desses dados.

